A ambiciosa reformulação do Manchester United: enfrentar a crise das lesões com a IA e as transferências estratégicas
O Manchester United, um dos clubes mais
famosos da história do futebol, atravessa uma fase turbulenta na temporada
2024-25. Das dificuldades dentro de campo às inovações fora de campo, os
últimos desenvolvimentos do clube oferecem uma narrativa convincente para os
adeptos e analistas. Aqui, exploramos dois temas interligados que dominam as
manchetes: a parceria inovadora do clube com a Universidade de Manchester para
desenvolver um algoritmo de previsão de lesões e os seus ambiciosos planos de
transferência para 2025, com o objetivo de reavivar a competitividade.
1. A Crise das Lesões: Um Pesadelo
Persistente
Os problemas de lesões do Manchester United
atingiram proporções alarmantes. Nos últimos 12 meses, o clube registou 66
casos distintos de lesões, com jogadores importantes como Luke Shaw (ausente
por mais de um ano), Lisandro Martínez (lesão do ligamento cruzado anterior) e
Mason Mount (sem data de regresso confirmada) afastados por tempo
indeterminado. Esta crise impactou severamente o desempenho, exemplificado pela
recente derrota por 0-1 com o Tottenham, com 12 jogadores indisponíveis e jogos
subsequentes sem nove titulares titulares.
O impacto vai além dos resultados
imediatos. As ausências prolongadas interrompem a coesão tática e obrigam à
dependência de jogadores mais velhos, como Casemiro e Christian Eriksen, cujas
limitações físicas entram em conflito com o sistema de pressão de alta
intensidade do treinador Ruben Amorim. O antigo avançado do Newcastle, Alan
Shearer, destacou este desfasamento, referindo que a falta de dinamismo do
meio-campo prejudica a visão de Amorim.
2. Uma solução tecnológica: previsão de
lesões baseada em IA
Numa iniciativa ousada para abordar
questões sistémicas, o United estabeleceu uma parceria com a Universidade de
Manchester para desenvolver um algoritmo concebido para prever lesões em
potenciais contratações. Esta iniciativa surge na sequência de anos de erros
dispendiosos no recrutamento, com 2 mil milhões de libras gastos ao longo de 12
anos, rendendo apenas Bruno Fernandes e Zlatan Ibrahimović como sucessos
absolutos com as suas camisolas de futebol.
O algoritmo visa analisar dados médicos e
de desempenho para sinalizar riscos de lesão antes de as transferências serem finalizadas.
Historicamente, a infraestrutura médica da United tem sido criticada por estar
desatualizada. Sir Jim Ratcliffe, um dos principais intervenientes, criticou
duramente a abordagem “pré-histórica” do clube à análise de dados, enfatizando
a necessidade de modernização. Embora os esforços anteriores, como o do Centro
Médico Toshiba de 2014, não tenham conseguido conter lesões, esta nova
colaboração representa uma mudança de paradigma no sentido da tomada de
decisões baseadas em evidências.
3. A Estratégia de Transferência de 2025:
Reconstruir a partir do Zero
Paralelamente ao seu avanço tecnológico, o
United está a planear uma grande reformulação do plantel. O técnico Ruben
Amorim, nomeado após a demissão de Erik ten Hag no final de 2024, deverá supervisionar
pelo menos seis contratações na janela de verão. Os principais alvos incluem:
- Um avançado prolífico: apesar da contagem
respeitável de 23 golos de Rasmus Højlund, o United procura um finalizador
clínico como Viktor Gyökeres, que prosperou sob o comando de Amorim no Sporting
CP.
- Médios dinâmicos: Com Casemiro e Eriksen
em dificuldades, o internacional francês Adrien Rabiot e estrelas em ascensão
como Branthwaite, do Everton, estão no radar.
- Reforços defensivos: Apesar de contratar
Matthijs a Ligt e outros, o United procura mais profundidade, uma vez que Harry
Maguire e Victor Lindelöf enfrentam futuros incertos.
Esta reconstrução será financiada em parte
pelas vendas de jogadores, incluindo Marcus Rashford e Antony, cujas exibições
com a Camisolas
Manchester United não justificaram os seus salários.
4.º Equilibrando Ambição e Realismo
A prioridade imediata do United é evitar
uma batalha impensável contra a descida de divisão. Ocupando a 14ª posição na
Premier League, apenas sete pontos acima da zona de despromoção, o clube
precisa de estabilizar os resultados, ao mesmo tempo que implementa mudanças a
longo prazo. O sucesso na Liga Europa oferece uma possível salvação para a
qualificação para a Liga dos Campeões, mas a consistência nacional ainda é uma
incógnita.
A parceria com a Universidade de Manchester
simboliza uma mudança cultural mais ampla. Ao integrar análises de topo, o
United espera imitar rivais como o Manchester City, cuja abordagem baseada em
dados redefiniu o futebol moderno. No entanto, como observou o especialista
Micah Richards, Amorim precisa de tempo para incutir a sua filosofia,
comparando o processo a “uma bebida gaseificada que perde o brilho muito
rapidamente”.
Conclusão: Um clube numa encruzilhada
A estratégia do Manchester United para 2025
depende da união da inovação com a eficiência implacável. O algoritmo de lesões
e os planos de transferência refletem o reconhecimento de que as falhas
passadas resultaram de pensamento reativo e de curto prazo. Embora o caminho
que se avizinha esteja repleto de desafios — restrições financeiras,
impaciência dos adeptos e competição da Premier League — a vontade do clube em
abraçar a mudança oferece um otimismo cauteloso.
Para Amorim e para a hierarquia do United,
a tarefa é clara: transformar Old Trafford novamente numa fortaleza no campo,
ao mesmo tempo que se constrói uma organização resiliente e com conhecimento de
dados a partir do mesmo. Os riscos não podiam ser maiores.
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